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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Solidão - Paulo Coelho

sábado, 28 de agosto de 2010

O Limite do Desejo


O limite do desejo


Um imperador, conhecido pela sua arrogância e pelo fato de só fazer o bem quando isso trazia bons dividendos políticos, resolveu dar uma volta pela capital do reino.

- Vamos mostrar ao povo que eu sou um homem bom - disse aos nobres que o acompanhavam.

Caminharam por algumas ruas da cidade, seguidos pela multidão que sempre se juntava ao redor da comitiva, até que encontraram um mendigo.

- O que você precisa, pobre homem? - perguntou o imperador.

O mendigo riu:

- Vossa Alteza me faz esta pergunta, como se pudesse satisfazer qualquer coisa!

Irritado, o imperador repetiu:

- O que você quer? Claro que eu posso satisfazer qualquer desejo seu, já que não deve ter sido um homem muito ambicioso nesta vida!

- Na verdade, o meu desejo é bem simples. Está vendo esta bolsa vazia que carrego comigo? Pois gostaria que colocasse alguma coisa aí dentro.

- Claro! - disse o soberano.

E virando para seu conselheiro, pediu que enchesse a pequena bolsa de moedas. Escutou-se de novo o murmúrio da multidão, louvando a Deus por ter

colocado um homem tão generoso no comando do país.

O conselheiro pegou o dinheiro que tinha consigo e colocou na pequena bolsa, mas ela parecia continuar vazia. Surpreso, o imperador pediu ajuda aos nobres que acompanhavam, mas - mesmo depois de toda a comitiva ter esvaziado seus bolsos e sacolas - a bolsa não dava sinais de encher.

A história correu pelas praças e ruas das redondezas, e a multidão aumentou cada vez mais. Agora era o prestigio doimperador que estava em jogo, e ele se virou para o ministro:

- Se precisar colocar todo o meu reino aí dentro, farei isso, mas não posso ser humilhado por um mendigo.

O ministro foi até o palácio, trouxe diamantes, pérolas, e esmeraldas, mas a bolsa não enchia. Tudo que era ali

colocado parecia desaparecer num passe de mágica.

A esta altura, praticamente toda a cidade acompanhava a cena, mas não se escutava um só ruído; todos pareciam hipnotizados pelo que estava acontecendo. Finalmente, quando a primeira estrela apareceu, o soberano ajoelhou-se diante do mendigo, e admitiu sua derrota.

- Vim aqui para tentar convencer os outros que sou um homem generoso, e terminei sendo convencido que não tenho nenhum poder. Peço perdão pela minha arrogância, mas também peço que me abençoes, porque és um homem santo, capaz de milagres.

O mendigo colocou as mãos na cabeça do homem ajoelhado e o abençoou.

- Basta um grão de amor para que o coração fique repleto. Entretanto, nem toda riqueza do mundo pode encher de alegria um coração com fome de amor.

O imperador levantou-se, e antes de retornar ao palácio, perguntou ao mendigo:

- É esse o segredo da tua bolsa?

- Não. Minha bolsa é feita do desejo humano: por mais que tenha, sempre quer ter mais, e por isso permanece vazia.

 
Fonte: http://www.parana-online.com.br/colunistas/142/79453/

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mestres ou Professores?

Mestres ou professores?






Volto aqui a um dos meus personagens favoritos, o filósofo chinês Confúcio. Acredita-se que viveu entre 551-479 a.C. Algumas obras são atribuídas a ele, outras foram compiladas por seus discípulos. Em um destes textos, “Conversas Familiares”, existe um interessante diálogo a respeito do aprendizado:



Confúcio sentou-se para descansar e logo os alunos começaram a fazer perguntas. Naquele dia, o mestre estava bem disposto, resolveu responder.

— O senhor consegue explicar tudo o que sente. Por que não vai até o imperador e fala com ele?

— O imperador também faz belos discursos — disse Confúcio. — E belos discursos são apenas uma questão de técnica: eles não trazem em si a virtude.

— Então envie o seu livro “Poemas” a ele.

— Os 300 poemas ali escritos podem ser resumidos na frase ‘pense corretamente’. Este é o segredo.

— O que é pensar corretamente?

— É saber usar a mente e o coração, a disciplina e a emoção. Quando se deseja uma coisa, a vida nos guiará até lá, mas por caminhos que não esperamos. Muitas vezes nos deixamos confundir, porque estes caminhos nos surpreendem. E então achamos que estamos indo na direção errada. Por isso eu disse: deixe-se levar pela emoção, mas tenha disciplina para seguir adiante.

— O senhor faz isso?

— Aos 15 anos, comecei a aprender. Aos 30, passei a ter certeza do que desejava. Aos 40, as dúvidas voltaram. Aos 50, descobri que o céu tem um projeto para mim e para cada homem sobre a face da Terra. Aos 60, compreendi este projeto e encontrei a tranquilidade para segui-lo. Agora, aos 70 anos, posso escutar meu coração, sem que ele me faça sair do caminho.

— Então o que o faz diferente dos outros homens que também aceitam a vontade do céu?

— Eu procuro dividi-la com vocês. E quem consegue discutir uma verdade antiga com uma geração nova, deve usar sua capacidade de ensinar. Esta é a minha única qualidade: ser um bom professor.

— O que é um bom professor?

— É o que examina tudo o que ensina. As ideias antigas não podem escravizar o homem, porque com o tempo elas têm que se adaptar e ganhar novas formas. Então, tomemos a riqueza filosófica do passado, sem esquecer os desafios que o mundo presente nos propõe.

— E o que é um bom aluno?

— É aquele que escuta o que eu digo, adaptando meus ensinamentos à sua vida, mas nunca os seguindo ao pé da letra. É aquele que não procura um emprego, mas um trabalho que o dignifica. E, por fim, é aquele que não busca ser notado, e sim fazer algo notável.



Provérbios de Confúcio



“Para conhecer um homem: veja como ele age, descubra o que ele busca, examine o que o faz feliz.”
“Quem pergunta é bobo por cinco minutos.

Quem não pergunta é bobo para sempre.”





Paulo Coelho

Escritor e colunista do Diário de S. Paulo





Fonte: http://www.diariosp.com.br/Artigo/180/Mestres+ou+professores%3F
Fonte da imagem: Google

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A História do Lápis

A História do Lápis





      O menino olhava a avó escrevendo uma carta e perguntou:

     - Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?

     A avó parou a carta, sorriu, e comentou:

     - Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele!

     O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

     - Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!

     - Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

     "Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à sua
vontade".

     "Segunda qualidade: de vez em quando preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor."

     "Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça".

     "Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."

     "Finalmente, ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".



Paulo Coelho



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fazendo Anotações



Fazendo anotações







Escrevo sempre, e acho muito importante escrever.

Se pudesse dar um conselho, diria a todo mundo: escreva. Seja uma carta, ou um diário, ou algumas anotações enquanto fala ao telefone - mas escreva.

Escrever nos aproxima de Deus e do próximo.

Se você quiser entender melhor seu papel no mundo, escreva.

Procure colocar sua alma por escrito, mesmo que ninguém leia - ou, o que é pior, mesmo que alguém termine lendo o que você não queria.

O simples fato de escrever nos ajuda a organizar o pensamento e ver com clareza o que nos cerca.

Um papel e uma caneta operam milagres - curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida.

A palavra tem poder. A palavra escrita tem mais poder ainda.

 
Postado por Paulo Coelho

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