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domingo, 15 de janeiro de 2012

Boa Viagem e o MAC


Boa Viagem

Bairro: Boa Viagem, Niterói , RJ


Boa Viagem é um bairro nobre e uma praia localizados na Zona Sul do município de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
O bairro caracteriza-se pela vida pacata que ainda se desfruta naquele logradouro. Predominantemente residencial, possuiu inúmeras casas construídas ainda no século XIX. Porém também concentra muitas edificações residenciais modernas de alto padrão.

Banhado pela praia da Boa Viagem, tem como bairros limítrofes, o Ingá, São Domingos e Gragoatá. Dentro de sua área localiza-se o Museu de Arte Contemporânea (MAC), cujo edifício foi projetado pelo Arquiteto Oscar Niemeyer. Na faixa de asfalto do museu, localizado na orla, mais precisamente na enconsta do morro, estão prédios novos que são considerados os mais caros de Niterói no momento. Em obras, no primeiro semestre de 2007, havia pelo menos quatro. Essa mesma área é também muito utilizada para vôos de asa delta e similares.
A Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem e a Bateria de Nossa Senhora da Boa Viagem, localizadas na ilha que deu nome ao bairro, tombadas pelo IPHAN, remontam ao Século XVII.
Registram-se inúmeros traillers em sua orla e pequenas praças e mirantes. Num destes encontra-se o monumento em homenagem ao navegador português Pedro Álvares Cabral.


O MAC visto do calçadão da Praia de Boa Viagem.


Praias: Boa Viagem, Icaraí e São Francisco.

Praia de Boa Viagem

Vista do mirante do MAC.

A igreja de Boa Viagem



Praias, Ilha e Bairro da Boa Viagem vista do mirante do Museu de Arte Contemporânea de Niterói.



Fotos: Rosemary Quintas



Museu de Arte Contemporânea de Niterói


MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niterói

A História do Início

Foi num dia ameno de maio, 1991. Eu acompanhava o arquiteto Oscar Niemeyer e o prefeito Jorge Roberto Silveira, procurando na orla marítima um terreno adequado ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Mas no meio do caminho, no mirante da Boa Viagem, já era evidente que o destino acertara. Seria ali o museu que ainda não tinha forma, mas nascia com invencível vocação de ser. 

O prefeito, que não era de meias medidas, encarregara-me de convidar Oscar Niemeyer, ver se ele queria fazer um museu de arte contemporânea em Niterói. Fui a Anna Maria e falamos com Oscar. Toda a pequena história dos cinco anos que se seguiram é, aliás, marcada por essa mágica e feminina presença: uma intuição rara e sensível, sua participação foi de uma competência tão constante e discreta que parece implícita, e é tempo de registrar. Porque João e Sylvia Sattamini entram no MAC com a coleção, e sua generosidade inteligente já se integra ao sucesso do museu. E os críticos e curadores, crentes da próxima hora, têm o resto da vida para animá-lo. 

No dia 15 de julho, o Arquiteto e o Prefeito apresentaram à imprensa o anteprojeto arquitetônico: belo e absolutamente surpreendente, já resolvido, na escala paisagística e na forma-estrutura de concreto armado, com apoio central – aflorando do espelho d'água que é um eco do mar – como um firme caule que se abre em flor, chama, cálice? Para conter as salas de trabalho, o nobre e vasto salão de exposições, a varanda belvedere a toda a volta e os seis setores do mezanino, onde o ritmo das vigas protendidas em balanço de 11 metros e a penumbra museológica lembram paradoxalmente a calma de criptas milenares. 

A obra foi inaugurada no dia 2 de setembro de 1996. Alguns anos de história e já os fatos e personagens intermediários – embora fundamentais – vão se esbatendo sob a sombra dos protagonistas maiores: o MAC é criação e decisão do arquiteto Oscar Niemeyer e do prefeito Jorge Roberto Silveira. A história crítica sempre se funde com a história monumental ou mítica, guardando-se o resto na história que Nietzsche chamava de antiquária. Mas nesses recantos de memória, ainda lembro o dia – era secretário da Cultura de Niterói – em que fui procurado por Anna Maria Niemeyer, amiga de toda a vida, e pelo colecionador João Sattamini, acompanhados pelo agressivo artista, mas civilizadíssimo curador da coleção, o pintor Victor Arruda. O famoso colecionador queria condições favoráveis para doar à nossa cidade a sua coleção de obras de arte contemporânea brasileira – a maior do país no setor. Pensavam em reformar prédios antigos, a meu ver mal localizados para a evolução urbana, já então incessante, de Niterói. 

O tempo decorrido foi bastante para que o museu temperasse a sua primeira equipe técnica – como esquecer as reuniões com Luiz Antonio Mello estimuladas pela ansiedade fidalga de João Sattamini? Anna Maria, nem sempre de longe, montou com Victor Arruda a orquestração polifônica de A caminho de Niterói, no Paço Imperial da Praça Quinze, onde minipeças e grandes formatos encontraram uma unidade que era a antevisão do MAC. Os móveis também vieram de Anna Maria: poucos, mas afinadíssimos – volume, cor e textura – para ambientação do espaço arquitetônico. As tarefas executivas deslizaram tão naturalmente para as mãos firmes de Dôra Silveira que chego a pensar que foi o destino mesmo do museu que quis assim. 

E rapidamente passou-se o resto desta narrativa. Juntaram-se a nós – para a museologia, a teoria e a pesquisa, a arte-educação, a arquitetura museográfica e a administração – Marcia Müller e Rose Miranda, Luiz Camillo Osorio e Guilherme Vergara, Sandro Silveira, Ricardo Brugger e Manoel Vieira, Telma Lasmar e Alexandre Vasconcelos. Peter Gasper trouxe a sua alquimia luminosa. A curta distância, o olhar culto e fraterno de Cláudio Valério Teixeira e os companheiros eficientes da Secretaria da Cultura e da Emusa… 

Com Oscar Niemeyer, veio a equipe de desenvolvimento, Jair Valera e Anna Elisa Niemeyer, a fiscalização veterana do Hans Müller. E, é lógico, a ciência de Bruno Contarini, cujo cálculo para a estrutura de concreto armado respondeu fielmente à ousadia formal da arquitetura. 

Oscar Niemeyer (2006)

"Como é fácil explicar este projeto!
Lembro quando fui ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia preservar.
E subi com o edifício, adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço requeria.
O estudo estava pronto, e uma rampa levando os visitantes ao museu completou o meu projeto. " 


Fontes:
Texto: http://www.macniteroi.com.br/
Fotos: Rosemary Quintas





domingo, 14 de agosto de 2011

Semana Fluminense do Patrimônio



cabeçalho
Jardim Botânico do Rio de Janeiro participa da Semana Fluminense do Patrimônio
A Semana Fluminense do Patrimônio acontece de 13 a 21 de agosto em diversos municípios fluminenses, com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre o patrimônio natural e cultural do estado. O evento, organizado por diversas instituições, oferecerá ao público uma programação de circuitos de visitação, seminários e mesas-redondas, oficinas, exposições, concursos e muitas outras atividades que chamarão a atenção para a importância do patrimônio em suas diversas formas de expressão.
O circuito Jardim Botânico do Rio de Janeiro será oferecido em 19 de agosto, com três atividades: Visita Guiada a pé pela Trilha Histórica, Visita ao Laboratório Didático e Visita Noturna. Saiba mais sobre horários e inscrições em www.jbrj.gov.br
Cineclube do Jardim aborda o preconceito enfrentado pelos imigrantes na Alemanha
CartazAAJBEm "O medo devora a alma" (1974), o diretor Rainer Werner Fassbinder narra a história da viúva Emmi, de 60 anos que, ao entrar em um bar de Munique para escapar da chuva, conhece Ali, negro, muçulmano e 20 anos mais novo. Os dois iniciam um namoro. Todos a sua volta começam a questionar e desprezar o envolvimento de ambos. Duração: 93 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Legendas em português.
A exibição acontece na terça-feira, 16/8, às 19h, no Centro de Visitantes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, na Rua Jardim Botânico, 1008. A entrada é franca com estacionamento gratuito no horário do Cineclube.
Você Precisa Saber de Mim estreia em 14 de agosto
Na peça dirigida por Jefferson Miranda, um homem registra sua própria história em um gravador, explorando a genealogia de sua família e as relações entre mães e filhos ao longo das gerações. Texto de Jô Bilac, Pedro Brício, Vitor Paiva, Henrique Tavares e Rodrigo Nogueira, com Luiza Mariani, Gisele Fróes e Alexandre Nero no elenco. 
Você Precisa Saber de Mim ocupa  o Galpão do Espaço Tom Jobim de 14 de agosto a 2 de outubro.
Endereço:  Rua Jardim Botânico, 1008 – Jardim Botânico . Tel. 2274-7012
Sábados e domingos, às 18h. Segundas-feiras, às 20h
Ingressos a R$30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Classificação: 14 anos. Duração: 2 horas. Capacidade: 60 lugares


Rodapé





quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reforma da Igreja São Domingos Causa Polêmica



Obra na Igreja de São Domingos não teria permissão para ser realizada





Igreja de São Domingos, tombada há 15 anos, passa por reformas, porém, Departamento de Patrimônio Artístico e Cultural (Depac), diz que para realização de obras no templo, autorização deveria ter sido pedida. Trabalhos podem ser embargados. Foto: André Redlich

Igreja de São Domingos, tombada há 15 anos, passa por reformas, porém, 

Departamento de Patrimônio Artístico e Cultural (Depac), 

diz que para realização de obras no templo, autorização deveria ter sido pedida. 

Trabalhos podem ser embargados. Foto: André Redlich




Arquidiocese começou obras na Igreja de São Domingos, mas, o Departamento de Patrimônio Artístico e Cultural (Depac), diz que o templo, tombado há 15 anos, não pode ser modificado sem antes ter autorização do município. Foto: André Redlich


Arquidiocese começou obras na Igreja de São Domingos, mas, 
o Departamento de Patrimônio Artístico e Cultural (Depac), 
diz que o templo, tombado há 15 anos, não pode ser modificado 
sem antes ter autorização do município. 
Foto: André Redlich




Por: Thaís Sousa 20/10/2010

De acordo com o Depac, reforma do templo, tombado há 15 anos, não foi autorizada e pode ser embargada. Já a Arquidiocese argumenta que local necessita de reparos emergenciais

A iniciativa de reformar a Igreja de São Domingos, no bairro de mesmo nome, está causando polêmica e as obras podem acabar sendo embargadas pela Prefeitura. Segundo o Departamento de Patrimônio Artístico e Cultural (Depac), o imóvel do templo é um bem tombado, há 15 anos, e não houve autorização do município para a realização da reforma. 
A Arquidiocese de Niterói afirma que os reparos eram emergenciais, já que o local estava infestado de cupins. Disse, ainda, que há anos vinha solicitando o socorro da Prefeitura para a paróquia. A igreja não forneceu detalhes sobre o custo da obra, mas informou que o dinheiro veio da própria igreja, com a ajuda de seus fiéis.
A igreja de São Domingos foi construída no século XVII e tombada em 1995, pela Lei Municipal 1.478. Segundo o Depac, somente a Prefeitura, através do órgão, poderia ter autorizado e executado a reforma na igreja, que deveria ter sido licitada, com verba do município. Por isso, o embargo deve ser efetuado.
Além disso, na última terça-feira, uma equipe técnica do departamento teria vistoriado as obras e encontrado problemas no projeto que está sendo executado pela paróquia. As características originais da estrutura não estariam sendo preservadas.
O FLUMINENSE esteve na igreja de São Domingos e conseguiu falar com o monsenhor Elídio Robaina, responsável pela paróquia. Com a igreja fechada, o religioso afirmou que a reforma ainda não havia sido iniciada, mas que se tratavam de obras de restauração das estruturas. Segundo a Arquidiocese de Niterói, o altar encontrava-se em estado de conservação ruim e com algumas partes chegaram a afundar devido a uma infestação de cupins.
“A Arquidiocese de Niterói sabia que as obras eram urgentes, por isso, elas foram autorizadas”, garante o padre Leandro Freire, representante da Arquidiocese, que afirma não ter fornecido verba para a recuperação e que o dinheiro vem sendo arrecadado pela própria paróquia. 

O FLUMINENSE


domingo, 29 de agosto de 2010

Real Gabinete Português de Leitura

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA
LOCALIZADA NO RIO DE JANEIRO














CATEDRAL DA CULTURA PORTUGUESA



Pelo seu prestígio nos meios intelectuais, pela beleza arquitetônica do edifício da sua sede, pela importância do acervo bibliográfico e ainda pelas atividades que desenvolve, o Real Gabinete Português de Leitura é, a todos os títulos, uma instituição notável e que muito dignifica Portugal no Brasil.



Em 14 de Maio de 1837, um grupo de 43 emigrantes portugueses do Rio de Janeiro e deve-se sublinhar que isto ocorre somente 15 anos depois da Independência do país - reuniu-se na casa do Dr. António José Coelho Lousada, na antiga rua Direita (hoje rua Primeiro de Março), nº 20, e resolveu criar uma biblioteca para ampliar os conhecimentos de seus sócios e dar oportunidade aos portugueses residentes na então capital do Império de ilustrar o seu espírito.



Entre esses homens, cuja maioria era composta de comerciantes da praça, estavam alguns que haviam sido perseguidos em Portugal pelo absolutismo e que tinham emigrado para o Brasil. Era o caso de José Marcelino Rocha Cabral, advogado e jornalista, que iria ser eleito primeiro presidente da instituição.



É possível que ao se preocuparem com o nível de instrução de seus compatriotas e ao quererem incutir em muitos o gosto pela leitura, os fundadores do “Gabinete” tenham sido inspirados pelo exemplo vindo da França, onde, logo seguir à revolução de 1789, começaram a aparecer as chamadas “boutiques à lire”, que nada mais eram do que lojas onde se emprestavam livros, por prazo certo, mediante o pagamento de uma determinada quantia.



Seguindo o exemplo dos “gabinetes de leitura” de raiz portuguesa e ainda na segunda metade do século XIX, surgiram, impulsionados pela maçonaria e pela república positivista, em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, instituições semelhantes que também eram denominadas “gabinetes de leitura” e que foram transformadas depois em bibliotecas municipais.



É por essa altura que os dirigentes começam a pensar em construir uma sede de maiores dimensões e condizente com a importância da instituição. Para esse fim, é adquirido um terreno na antiga rua da Lampadosa. E as comemorações do tricentenário da morte de Camões (1880) vão ser o grande pretexto para motivar a “colônia” portuguesa e levar adiante o projeto. Portugal atravessava crises medonhas: eram os déficits da Corte e a ameaça das grandes potências às colônias da África; eram as mazelas de uma sociedade que não reagia às críticas e farpas dos “vencidos da vida”; eram os “escândalos do tabaco” e as lutas dos partidos; eram os “cortejos do bacalhau” na “baixa” lisboeta para depreciar a Epopéia quinhentista; era a falta de interesse pelas idéias novas que vinham da Europa, a apatia do zé-povinho retratado nas caricaturas mordazes de Bordalo Pinheiro.



O projeto escolhido foi o do arquiteto português Rafael da Silva Castro, com seu traço neomanuelino a evocar a epopéia camoniana.



Ramalho Ortigão, convidado para ser o ora­dor oficial da solenidade, pronunciou então um discurso notável. A certa altura disse: "No dia em que tiver caído para o domínio intelectual do mundo a preponderância européia - porque não há preponderâncias eternas e o movimento da civilização está destinado a oscilar como o movimento dos mares e a configuração dos continentes entre os dois hemisférios da terra - quando por meio dessa evolução se tenha deslocado a importância do domínio geográfico das linhas atuais, se esta casa existir ainda, ela mos­trará aos nossos netos que homens de trabalho, alheios à intriga política do país e ao litígio do poder, ausentes de sua pátria, em um país remoto, previram na missão de sua raça o alcance da ciência e o alcance da arte, a qual, tendo por fim ressalvar os interesses da inteligência fazendo-os preponderar aos interesses da cobiça, da ambição e do egoísmo humano, é a origem da moral positiva assim como é a base do bom senso e o sustentáculo da moderação...”. E mais adiante o escritor arrematou o seu discurso: "E se um dia o nome de Portugal houver de desaparecer da carta política da Europa, esta Casa será ainda como a expressão monumental do cumprimento da profecia posta por Garrett na boca de Camões: ... não se acabe a Língua, o nome português na terra”.



Em 1900 o Gabinete Português de Leitura transforma-se em biblioteca pública - qual­quer um do povo pode ter acesso aos livros da sua biblioteca. E logo depois Benjamin Franklin de Ramiz Galvão, um dos mais ilustres intelectuais brasileiros, é convidado pelo Presidente da instituição, Ernesto Cibrão, para organizar um novo catálogo do acervo bibliográfico, tarefa que vai terminar em 1906. É precisamente nesse ano que o rei D. Carlos atribui o título de “Real” ao Gabinete e tem lugar, no Salão dos Brasões, uma grande exposição de pinturas de José Malhôa, a cuja inauguração comparece o Presidente Rodrigues Alves. No primeiro dia da exposição, dos 125 quadros apresentados foram vendidos 26, sendo que um deles, denominado “O sonho do Infante”, foi adquirido para ficar no Real Gabinete. Na mesma exposição figuram ainda retratos do rei e da rainha D. Amélia, encomendados ao pintor pela diretoria da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V, e que até hoje se encontram em sua sede.



E a seguir fazia-se uma referência ao que o país devia aos portugueses do Brasil. Nas cidades, os melhores palácios a quem pertencem? Quem mandou construir casas e pagar benfeitorias? A quem pertencem os estabelecimentos fabris? Quem manda abrir e reformar os caminhos nas províncias? Quem paga os melhora­mentos das igrejas, os paramentos e as alfaias? Quem manda construir asilos, hospitais e escolas? Quem subscreve as ações dos caminhos de ferro? Quem acode às necessidades do Estado e compra metade dos títulos da dívida pública em circulação? Quem?



Registradas as mágoas e ressentimentos da colônia, em parte devidas aos confrontos que na época dividiam o país provocados pela campanha crescente do Partido Republicano e as convulsões da Monarquia, o Real Gabinete abre na década de 20 uma nova fase de sua existência. E dois homens se destacam nesse período: um, Carlos Malheiro Dias, com seu labor intelectual, as suas pesquisas históricas, a sua influência na formulação de uma estrutura em que se vai manter o universo associativo de origem portuguesa no Brasil e que irá resultar na criação da Federação das Associações Portuguesas em 1931; o outro, Albino Sousa Cruz que, tendo vendido aos ingleses a fábrica de cigarros, passa a dedicar-se inteiramente e a ser o grande mecenas da instituição.





Para as comemorações do 1º centenário da Independência é constituída no Real Gabinete uma empresa com a finalidade de editar, em fascículos, a monumental História da Colonização Portuguesa do Brasil, sob a direção literária de Carlos Malheiro Dias, a direção artística de Roque Gameiro e cartográfica do Conselheiro Ernesto de Vasconcelos.

Da obra irão colaborar as figuras mais eminentes dos dois países nas artes, nas ciências e na literatura, de Luciano Pereira da Silva a Duarte Leite, de Júlio Dantas a Oliveira Lima, de Paulo Merea a Pedro Azevedo, de António Baião a Jaime Cortesão, de H. Lopes de Mendonça a E. M. Esteves Pereira, sem citarmos, evidente­mente, o coordenador, o mais importante de todos - Carlos Malheiro Dias.



A História da Colonização Portuguesa foi editada pela Litografia Nacional do Porto, em fascículos, e estes chegaram a atingir cerca de 20.000, com 12.000 distribuídos no Brasil e 8.000 em Portugal - um número impressionante para a época.



Em 1931 é realizado no Real Gabinete o 1º Congresso dos Portugueses do Brasil, quando se procura evitar, com a criação da Federação das Associações Portuguesas, as divisões no meio associativo e imprimir uma certa unidade aos movimentos da colônia. Seu primeiro presidente vai ser Carlos Malheiro Dias, e mais 80 associações de todo o Brasil ficam integradas no organismo federativo que passa, por tácito consenso, a ser o porta-voz das aspirações e anseios coletivos.



Como decorrência do 1º Congresso dos Portugueses do Brasil passa a comemorar-se na sede do Real Gabinete, todos os anos, o “Dia de Portugal”, promovido pela Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras. A solenidade, para além de outras liturgias, conta com a presença de oradores ilustres, portugueses e brasileiros convidados para a saudação cívica. Vale a pena registrar a lista desses convidados ao correr dos anos.



Em 15 de Março de 1935, pelo decreto nº 25.134, o governo português concede ao Real Gabinete o benefício de receber de todos os editores portugueses um exemplar das obras por eles impressas. Esse estatuto permite uma atualização permanente da biblioteca em termos do que se edita em Portugal.



Nos anos 40 cria-se o Instituto de Alta Cultura com o objetivo de desenvolver o intercâmbio cultural entre os dois países.



A década seguinte é de grandes dificuldades financeiras para a instituição. Os mecenas tinham desaparecido e os legados e codicilos ao longo do tempo privilegiaram sempre as instituições assistenciais e religiosas - as Beneficências e as Caixas de Socorros Mútuas, as Casas de Portugal e as Obras de Assistência, as Irmandades e as Santas Casas. Os “Gabinetes de Leitura”, os “Grêmios” ou os “Liceus”, esses nunca foram lembrados pela maioria dos benfeitores. Apoiado no mecenato de Albino de Sousa Cruz e de mais alguns - Sousa Baptista, Conde Dias Garcia, Visconde de Morais, Garcia Saraiva, etc. -, a entidade, com o desaparecimento dessa geração, ficou em extrema penúria. As suas despesas eram rateadas pelas diretorias e só muito depois o governo português, durante alguns anos, no antigo regime, concedeu um subsídio de cerca de 50 contos de reis para amenizar a crise que ameaçava a instituição.



Foi preciso mudar a sistemática anterior em vários sentidos: primeiro, para dar mais dinamismo às suas atividades, criou-se em 1969, na gestão do Presidente António Pedro Martins Rodrigues, o “Centro de Estudos”, onde passaram a ser ministrados sistematicamente cursos e conferências a cargo de professores universitários. O primeiro curso foi ministrado pelo Prof. Robert Chester Smith, da Universidade da Pensilvânia, sobre “Aspectos da Arte Portuguesa do século XVIII”. E o primeiro diretor do Centro foi António Gomes da Costa. Depois fizeram-se as campanhas financeiras para resgatar o Real Gabinete da situação de penúria e dar-lhe meios para subsistir. Nos anos mais recentes o seu quadro social, antes constituído só de portugueses, passou a receber cidadãos de outros países de língua portuguesa e, a esta altura, várias empresas brasileiras - como por exemplo o Banco Itaú que financiou todo o processo de informatização da biblioteca - já contribuem para o desenvolvi­mento do Real Gabinete, a formação do centro de multimídia cultural, o restauro do edifício, etc. Nesse capítulo, justo é destacar a extraordinária ajuda recebida ao longo dos últimos anos da Fundação Calouste Gulbenkian, que, inclusive, deu os recursos necessários à aquisição e às obras do prédio contíguo ao Real Gabinete onde está instalado o centro de multimídia. Mas também o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal tem concedido uma permanente ajuda desde que, tanto no governo de Cavaco Silva como no de António Guterres, se reconheceu a importância da instituição para a difração da cultura portuguesa no Brasil. Outras entidades - da Biblioteca Nacional ao Instituto Camões, de empresas portuguesas aos donativos da comunidade, da Real Caixa de Socorros D. Pedro V ao Liceu Literário Português - têm vindo a permitir ao Real Gabinete desenvolver, de ano para ano, atividades crescentes desde a edição semestral da revista Convergência Lusíada, distribuída gratuitamente por centenas de instituições culturais e Universidades de todo o mundo, até à recuperação de obras raras danificadas pelo tempo.



A. Gomes da Costa



Fontes:

Texto: http://www.realgabinete.com.br/portalWeb/

Imagens:

http://meanjin.com.au/static/files/assets/b7cd57b7/Real_Gabinete_Portugues_De_Leitura_Rio_De_Janeiro_3.jpg



http://popturismo.files.wordpress.com/2006/11/real.jpg


http://cidadanialusofona.files.wordpress.com/2010/02/real_gabinete1.jpg

sábado, 7 de agosto de 2010

MAI - Museu de Arqueologia de Itaipu

Programão deste sábado é em Itaipu, em Niterói

Itaipu tem um museu de arqueologia que foi criado em 1977.

É uma praia cercada de montanhas e dunas de areia.
 
 


O programão do RJTV deste sábado é em Itaipu, Niterói. Pela ponte Rio - Niterói, segue-se em direção à região litorânea e se chega á Itaipu que, em tupi guarani, quer dizer "pedra que canta". É uma das praias mais primitivas de Niterói, cercada de montanhas e dunas de areia.



Quem vier fazer este programão, além de curtir a beleza selvagem da praia de Itaipu, pode pagar apenas R$ 2 e conhecer um pouco da história da nossa terra num período bem anterior à chegada dos descobridores portugueses.



O MAI - Museu de Arqueologia de Itaipu - foi criado em 1977 e funciona numa casa onde no século dezenove a igreja católica fazia recolhimento de mulheres que queriam seguir a vida religiosa. O museu está com a exposição "percursos do tempo - revelando Itaipu".



São ornamentos e peças de trabalho de povos que viveram aqui há milhares de anos. A mostra também tem esta canoa de século dezenove e pedaços de cerâmica com mais de 300 anos.



Se o tempo estiver bom, vale dar um mergulho nas águas límpidas da lagoa de Itaipu e depois comer aquela muqueca em um dos vários restaurantes que ficam na praia.



O próximo passo deste programão é pegar uma balsa, atravessar a lagoa de Itaipú em direção à camboinhas e conhecer uma tribo indígena tupi guarani.



A tribo tekoá mboy ty tecoá boitê, que significa semente, veio de Paraty Mirim em 2008 e se instalou nesta área que, segundo o cacique Darci Tupã, foi um grande cemitério indígena.



São 63 índios que vivem em 23 ocas. A aldeia tem escola, onde as crianças aprendem português e tupi guarani. E os visitantes podem comprar objetos artesanais e conhecer a vida desse povo preserva a sua história sem deixar de interagir com outras culturas. Não é a toa que os cântigos indígenas são acompanhados por rabeca e violão.







segunda-feira, 5 de julho de 2010

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sites Preciosos...úteis.

Sites Importantes...


cadem Brasira de Letras
eroportos Brasileiros
gência Nacional de Energia Elétrica
gência Nacional de Energia Elétrica - Aneel
Agência Nacional de Saúde Suplementar
gência Nacional de Transportes Aquaviários
ência Nacional de Viação Civil - ANAC
gência Nacional de Vigilância Sanitária
Agência Nacional do Cinema
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Alcoólicos Anônimos no Brasil
migos da Escola
Ampla
ANAC
ANATEL
prendiz Legal
Arquiva Público do Estado do Rio de Janeiro
ssembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro
ssociação Brasileira de Psiquiatria
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos
Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida
ssociação Carioca dos Deficients Físicos
Associação dos Deficientes Visuais
Associação Nacional de Escritores
Auxílio à Lista
Ação Global
Banco Central do Brasil
Banco do Brasil
Barcas S/A

Biblioteca Mundial Digital - UNESCO
Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro
Biblioteca Virtual em Saúde
Bússola Escolar
Caixa Econômica Federal
Cartório 24hs
Casa da Moeda do Brasil
CEFET/RJ
Centro de Integração Empresa-Escola
CINEMARK
Cinemateca

Comissão de Valores Monetários - CVM
Companhia Brasileira de Trens Urbanos
Companhia de Limpeza de Niterói
Conselho Estadual dos Direitos da Mulher/RJ
Conselho Federal de Farmácia - CFF
Conselho Nacional de Política Cultural
COOP - EMBRATAXI - COOPERATIVA
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro
Correios
Criança Esperança
Cruzeiro - Táxi Aéreo
Câmara Municipal de Niterói
Câmara Municipal do Rio de Janeiro

DATAPREV - Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social
Delegacia Virtual
Departamento de Estradas e Rodagem
Departamento de Transportes Rodoviários
Detran - RJ
Direito do Consumidor
DPRF - Departamento de Polícia Rodoviária Federal
Educação
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Empresa Municipal de Multimeios
ENEM
Espaço Euclides da Cunha - ABL
Espaço Machado de Assis - ABL
Federação Nacional dos Jornalistas

FIES
Financiadora de Estudos e Projetos
FIRJAN
Força Aérea Brasileira - FAB
FUNAI
Funarte
Fundação Biblioteca Nacional
Fundação Casa de Rui Barbosa
Fundação Casa França-Brasil
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA
Fundação Getúlio Vargas
Fundação Jardim Zoológico de Niterói - Zoonit
Fundação Mudes
Fundação Nacional de Artes
Fundação Oswaldo Cruz

Fundação para a Infância e A dolescência
Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro
Fundação Roberto Marinho
Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Global Táxi Aéreo
reenpeace
IBAMA
Imprensa Nacional
INEA - Instituto Estadual do Ambiente

INFRAERO - Aeroportos Brasileiros
INMETRO
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
Instituto de Pesquisas Jardim Botãnico do Rio de Janeiro
Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica
Instituto Nacional de Câncer
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Instituto Vital Brasil
Linha Amarela S/A
LRC - Táxi Aéreo
MEC
Mercosul
Metrô - RJ
Ministério da Ciência e Tecnologia
Ministério da Cultura
Ministério da Cultura Fundação Cultural Palmares
Ministério da Defesa
Ministério da Justiça - Portal do Cidadão
Ministério da Marinha
Ministério da Saúde
Ministério das Comunicações
Ministério das Relações Exteriores
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS
Ministério do Esporte
Ministério do Exército Brasileiro
Ministério do Trabalho e Emprego
Ministério dos Transportes
Ministério dos Transportes - INFORMAÇÕES SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO
Ministério Público Federal
Museu Aeroespacial
Museu AfroBrasil
Museu Antropológico
Museu Butantan
Museu da Imagem e do Som
Museu da Língua Portuguesa
Museu da Pessoa
Museu da Polícia Militar
Museu da República
Museu da Vida
Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Museu de Arte Moderna - MAM - RJ
Museu de Ciência e Tecnologia

Museu de Imagens do Inconciente
Museu do Futebol
Museu do Índio
Museu dos Esportes
Museu Histórico Nacional
Museu Imperial
Museu Judaico - RJ
Museu Mazzaropi
Museu Nacional - RJ - BRASIL
Museu Nacional de Belas Artes
Museu Nacional do Mar
Museu Oscar Niemeyer
Museu Virtual de Arte Brasileira

Niterói Artes
Niterói Empresa de Lazer e Turismo
Observatório Nacional
Ordem dos Advogados do Brasil
PETROBRAS
Ponte S/A
Portal da Cârama dos Deputados
Portal da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Portal da Secretaria de Estado de Fazenda
Portal do Consumidor
Portal do Governo Brasileiro
Portal do Governo do Estado do Rio de Janeiro
Portal do Investidor

Portal do Professor
Portal Domínio Público
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Fundação RIOZOO
Prefeitura de Niterói
PROCON/RJ
Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor
Programa Universidade para Todos - ProUni
Projeto Grael
Quintal da Casa de Ana - ADOÇÃO
Receita Federal do Brasil
Rio Táxi

Riocentro
RIOTUR
Rodoviária Novo Rio
Rodoviárias
Secretaria de Educação
Secretaria de Estado da Casa Civil
Secretaria de Estado de Educação
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